sábado, 30 de maio de 2015
terça-feira, 26 de maio de 2015
Sobre ciúmes em uma relação aberta
Tenho relacionamentos poli há quase dez anos, entre eles uma relação de sete anos com um "casamento" de um ano. E acho que, para a gente saber lidar bem com esse tipo de relação, é importante não cair em um discurso moralizante que há dentro do poliamor, de que as relações e os sentimentos devem se dar dentro de um determinado molde. Sentir ciúmes é completamente normal no mundo em que vivemos. Nós somos criadas e ensinadas a isso a vida toda, e não é por um ato de vontade que vamos parar de senti-lo. É algo que está dentro de nós e que só pode mudar a partir de experiências genuínas de relações de companheirismo e cumplicidade.
Sentir ciúme não é algo atrasado ou retrógrado em si, e não deve despertar culpa. É um sentimento tão legítimo como qualquer outro e as pessoas que querem trabalhá-lo para mudá-lo devem fazer isso respeitando a si mesmas, respeitando seu espaço e seu tempo.
Mas, quando se está em uma relação, esse respeito tem que ser compartilhado pelo companheiro também. Tem que existir algum nível de cumplicidade e de responsabilidade sobre os sentimentos daqueles com quem se relaciona. Não faz sentido uma relação aberta em que o homem faz o que quer sem se importar em como aquilo repercute nos sentimentos de sua companheira. Esse tipo de relação “poliamorista” é tão atrasada como qualquer relação tradicional.
O ciúme é algo que acontece. Em todas as relações que tive, diversas vezes e por diversos motivos surgiram ciúmes, da minha parte e da parte de minhas companheiras e companheiros. E é algo que podemos conversar sobre e pensar em o que fazer para que fiquemos bem (aqui parto do pressuposto que as relações devem servir para nos fazer bem, para nos fazer felizes; e não simplesmente seguir um modelo ideal, seja mono ou poli). Numa relação, principalmente uma relação não mono, onde estamos construindo algo novo, que não há um modelo já socialmente estabelecido, é fundamental que haja espaço e companheirismo para que se coloque o que se sente, o que alegra e o que machuca. É preciso haver espaço, inclusive, para que se recuem em propostas de não-monogamia em alguns momentos se essas propostas causarem algum desconforto que seja muito difícil lidar (lembrando que o objetivo é ser feliz, e não construir uma relação poli ideal).
Na maioria de minhas relações, tive um acordo de que ficaríamos com quem quiséssemos, quando quiséssemos. Mas diversas vezes, antes de ficar com alguém, já perguntei a minhas companheiras como seria para elas se eu o fizesse, e muitas vezes deixaria de fazê-lo se fosse machuca-las. Da mesma forma, já coloquei para elas coisas que me machucaram em função dos ciúmes que eu sentia. E é importante que seja possível conversar e chegar a um ponto de consenso, sobre o que seria melhor para ambas. Algumas vezes podemos assumir que vai rolar a outra relação e que nos ajudaremos a lidar com o ciúmes uma da outra; outras vezes assumir que seria melhor que essa outra relação não role. É uma questão de cuidado. E nem sempre conseguimos conversar e elaborar isso da melhor forma possível todas as vezes; mas acho que vale a pena ter disposição e ir aprendendo a ter esse tipo de diálogo.
E só essa cumplicidade e abertura para lidar com os sentimentos de forma bastante sincera foi o que me ajudou a lidar com os ciúmes e avançar em relações não mono. Se se estabelece uma relação em que uma pessoa não sabe o que a outra sente, em que não há esse companheirismo para que se possa chegar para o outro e perguntar de forma aberta qual a relação dele com aquela outra pessoa que ele está ficando, se as coisas ficam meio incertas e inseguras, acho bastante provável que se esteja estabelecendo uma relação opressora.
Principalmente em uma relação entre homem e mulher, e mais ainda em uma relação não mono, é obrigação do homem compreender e proporcionar um ambiente de segurança à mulher. Caso contrário, se reproduzirá, ainda que de uma forma um pouco diferente, o velho machismo que há nas relações tradicionais, que coloca a mulher em uma posição de submissão por se sentir insegura na relação.
É importante que se saiba (e principalmente nós mulheres) que sentir ciúmes, ficar insegura e todas essas coisas não são nossa culpa, não são coisas de que nós temos que ter vergonha, e não são coisas que temos que resolver sozinhas. Esses elementos todos acontecem na relação e é necessário que existam espaços para que se lide com eles de forma companheira, claro que também respeitando as individualidades de cada um quando for necessário. Ciúmes, assim como todo sentimento, é algo que se conversa sobre em uma relação íntima saudável.
Tem muitas coisas nos nossos sentimentos que podemos mudar com experiências. Como eu disse, já senti muito ciúme, e a forma como sinto ciúmes mudou muito desde que comecei a ter relações não mono (e essa mudança foi uma experiência fantástica, que ainda vou escrever especificamente sobre). Em função de minhas experiências de construir conjuntamente a vida com algumas pessoas e de compartilhar sentimentos bons e ruins, algumas situações que me dariam muito ciúme e que me fariam ficar muito mal hoje são bastante prazerosas. Ver minha companheira feliz com uma outra namorada ou namorado que a faça feliz é algo que às vezes ainda desperta algum incômodo, mas, de forma geral, me dá sentimentos muito bons e felizes.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
sábado, 9 de maio de 2015
Da solidão da travesti que gosta de meninas
(TW: solidão trans*)
Hoje acordei e não sabia bem onde estava
Vi que meu corpo estava em minha cama
Mas eu não estava lá.
Eu então vi que eu não estava em lugar nenhum.
Sempre brinquei tanto com o desejo
O desejo me era amigo, íntimo, companheiro
E agora
Desejo, para mim, é nada mais que uma lembrança longínqua
Me sinto assexuada em meio à multidão libidinosa
Quem é que iria me querer?
Não tenho aquele masculino que atrai as moças que gostam de meninos
Também não há em mim o feminino que desejam as que gostam de meninas
--
Cansada de ser eu...
Aliás, quem sou eu, quem poderei ser?
Se não posso ser senão junto
Se minha história é a história de meus amores
Se me encontro em cada encontro em meu caminho
Quem poderei ser se sou só?
Fico vazia de mim.
Eu, que sempre esbanjei libido
Me castro diante do desejo dos outros
Que afirmam, com razão, como sou linda
E maravilhosa, e até sexy
Mas é um sexy que só desperta desejo nos outros
E esses outros ainda não encontrei
(O desejo não vem senão daqueles que aprenderam, vez ou outra na vida,
Que só sou objeto superficial e carnal,
Mas não digna de uma relação, de afeto, de amor)
Eu, que sempre tive relações tão próximas,
Que sempre tive trocas profundas
Com todes que passaram por minha vida
Eu, que amo tanto amar profundamente,
Encontro-me de repente procurando sexo
Só sexo, sem sentimento, sem troca, sem nada. Só para poder sentir-me um pouco desejada.
E vejo-me fechando ao mundo
Não brincando como sempre brinquei
Não amando como sempre amei
Não sou mais eu
Perco minha libido
Perco meus encontros
Mais uma vez na vida, mal posso conversar sem medo
Esse medo me domina
Fico só. Com medo. Um medo só.
E de repente o que fica é só o medo.
--
Não queria ter dormido
Não queria ter acordado.
O medo da vida agora se mistura com quem eu sou.
Meu gênero se confunde com a solidão.
Queria ainda não saber onde estou. Mas agora vejo bem.
Estou aqui.
Hoje acordei e não sabia bem onde estava
Vi que meu corpo estava em minha cama
Mas eu não estava lá.
Eu então vi que eu não estava em lugar nenhum.
Sempre brinquei tanto com o desejo
O desejo me era amigo, íntimo, companheiro
E agora
Desejo, para mim, é nada mais que uma lembrança longínqua
Me sinto assexuada em meio à multidão libidinosa
Quem é que iria me querer?
Não tenho aquele masculino que atrai as moças que gostam de meninos
Também não há em mim o feminino que desejam as que gostam de meninas
--
Cansada de ser eu...
Aliás, quem sou eu, quem poderei ser?
Se não posso ser senão junto
Se minha história é a história de meus amores
Se me encontro em cada encontro em meu caminho
Quem poderei ser se sou só?
Fico vazia de mim.
Eu, que sempre esbanjei libido
Me castro diante do desejo dos outros
Que afirmam, com razão, como sou linda
E maravilhosa, e até sexy
Mas é um sexy que só desperta desejo nos outros
E esses outros ainda não encontrei
(O desejo não vem senão daqueles que aprenderam, vez ou outra na vida,
Que só sou objeto superficial e carnal,
Mas não digna de uma relação, de afeto, de amor)
Eu, que sempre tive relações tão próximas,
Que sempre tive trocas profundas
Com todes que passaram por minha vida
Eu, que amo tanto amar profundamente,
Encontro-me de repente procurando sexo
Só sexo, sem sentimento, sem troca, sem nada. Só para poder sentir-me um pouco desejada.
E vejo-me fechando ao mundo
Não brincando como sempre brinquei
Não amando como sempre amei
Não sou mais eu
Perco minha libido
Perco meus encontros
Mais uma vez na vida, mal posso conversar sem medo
Esse medo me domina
Fico só. Com medo. Um medo só.
E de repente o que fica é só o medo.
--
Não queria ter dormido
Não queria ter acordado.
O medo da vida agora se mistura com quem eu sou.
Meu gênero se confunde com a solidão.
Queria ainda não saber onde estou. Mas agora vejo bem.
Estou aqui.
sábado, 25 de abril de 2015
Em algum lugar da USP em 2015
Para entender melhor o ocorrido, leia a nota da Ocupação Preta na página do Facebook:
https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=358069844389530&id=352926291570552
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Alegria
Hoje me peguei cantando alto na rua
Andando com a cabeça alta
Seguindo e força e a música
E dançando pelos trens do metrô
Tenho aprendido sobre a vida
Minhas amigas e meus amigos
Estão aqui de volta
E tenho companhias para a vida
Que estarão sempre comigo
E encontros de poucos dias
Incríveis, que mudam tudo
Quando me abro ao mundo
O mundo me permite conhecer
A mim mesma
Nas diversas pessoas e poesias
Que cruzam meu caminho
Alegria
Andando com a cabeça alta
Seguindo e força e a música
E dançando pelos trens do metrô
Tenho aprendido sobre a vida
Minhas amigas e meus amigos
Estão aqui de volta
E tenho companhias para a vida
Que estarão sempre comigo
E encontros de poucos dias
Incríveis, que mudam tudo
Quando me abro ao mundo
O mundo me permite conhecer
A mim mesma
Nas diversas pessoas e poesias
Que cruzam meu caminho
Alegria
Sobre a violência desse mundo
Hoje quando penso em você só consigo pensar em como a violência desse mundo se reproduz. Só consigo pensar em como são distantes aquelas relações que deviam ser as mais próximas; em como não se pode confiar nas pessoas em que mais se confia. Penso em como a violência que se expressa de forma explícita em alguns poucos momentos percorre nossos sentimentos, nossos corpos e nossos amores silenciosamente em tanto tempo da vida. E não posso deixar de pensar em como esse mundo violento, com suas relações violentas, nos ensina que que amar é, em si, violento.
Hoje quando penso em você só posso pensar como a violência está em cada canto e em cada momento. E como, quando nos esforçamos para fugir dela, damos com ela novamente. Só consigo pensar que, acreditando fugir da violência desse mundo, buscamos o amor e fugimos dele, gritamos e nos silenciamos. E o que quer que façamos a violência sempre parece estar lá.
Hoje não posso não pensar que, fugindo da violência, somos nós que a reproduzimos em nossas relações; que, tentando nos proteger somos nós violentos com nossos amores.
Estive certo de que o amor, que é junto, seria páreo para a violência, que é só. Mas a violência foi tanta que não pude saber lidar. E quando busquei algum amor em ti, quando busquei algo qualquer que me pudesse ajudar a enfrentar a violência... Encontrei. Encontrei teu amor. Mas a própria violência já o havia dominado.
Não soube mais o que fazer. A ideia do teu amor me faz vencer a violência. Mas hoje não posso pensar no seu amor sem sentir a violência que ele me traz. O mundo me violenta, e assim o faz contigo. Nossas relações e nossos amores nos violentam.
Começo a sentir o medo da violência, que me faz também exercê-la. Começo a sentir o ódio. Sinto-me em sintonia com esse mundo violento, com essas relações superficiais, com esse amor odioso, mesquinho, distante, solitário.
Mas me recuso! Se não posso enfrentar a violência desse mundo porque me falta a vida que o amor traz, então escolherei definhar sob tal violência. Recuso-me a fazer parte dela. Recuso-me a me defender sendo ainda mais violenta. Recuso-me a reproduzir essa distância que as pessoas estabelecem entre si. Recuso-me a amar sem amor!
Dói, mas escolhi amar puramente, sem jogos, e sem entrar nessa estereotipia silenciosa e violenta.
Quando houver amor, quando houver o "junto" que pode dar alguma vida contra a violência desse mundo, estarei aqui, pequena, miúda, esmagada sob tanta violência, mas estarei aqui, me recusando a fazer parte dela e esperando que alguém mais também se recuse e possa dividir um pouco do amor, da força, da vida.
Hoje quando penso em você só posso sentir a violência desse mundo. Mas, sorrateira e malandra como é, às vezes a esperança de um mundo não violento aparece em um sonho (que parece cada vez menos distante)... E penso que, quem sabe, pode haver um amor sem violência.
domingo, 19 de abril de 2015
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Boa vida!
Há aquelas despedidas em que ficamos na dúvida se devemos dizer "boa noite" ou "boa semana".
Há aquelas que só depois entendemos que devíamos ter dito "boa vida".
Há aquelas que só depois entendemos que devíamos ter dito "boa vida".
sábado, 4 de abril de 2015
No mundo dos homens
Eu não aguento mais ouvir sobre abusos, assédios, sobre o medo, a violência
Não dá mais pra saber e presenciar cenas brutas e absurdas
Que nos privam da saúde, da socialidade, da vida.
Não posso mais viver essa violência
Hoje chorei ao ouvir um relato de uma situação de brutalidade. Ciúmes. Eram ciúmes.
Como chorei tantas vezes
Pelas cenas vividas por mim
Pelas cenas vividas por outras, por minhas amigas, irmãs, desconhecidas
Outras que também não podem caber nesse mundo, que não podem ter suas vontades
Que não podem ser donas de si
Que não podem ter - e nem sequer conhecer - seu próprio prazer, seu corpo, sua alma, sua vida
Não posso mais suportar relações que nos tirem a vontade de viver
Que nos tirem a energia, o brilho, a força para enfrentar a vida, que nos tirem a vontade de tentar, de ir fundo naquilo que nós mesmas somos, naquilo que queremos.
Essas relações hostis, sem companheirismo, sem cumplicidade,
Que se sustentam sobre o medo, a humilhação, a violência.
É tão difícil ver meus amores e minhas irmãs vivendo um medo da vida, e temendo seus próprios desejos, e vendo, como eu vejo, perigo por todo canto.
--
Não dá para viver nesse mundo dos homens. Não dá...
Mas estamos aqui. Vivendo. Vivendo sem poder ter a vida.
Estamos aqui, em pleno mundo dos homens.
E, enquanto vivermos aqui, por vezes sucumbiremos. Por vezes nos submeteremos.
Por vezes perderemos a voz e não vamos poder brigar.
E teremos medo, e a incidência do mundo dos homens ainda será tão constante que por vezes simplesmente tentaremos ignorar e tocar em frente o que resta de nós.
Mas resta. E no que resta há vida, há energia, há vontade. No que resta há aquilo que somos.
E naquilo que somos há possibilidade de lutar.
Naquilo que somos há força - e como vejo força nessas mulheres! Há muita força!
E há cumplicidade, companheirismo. E com cumplicidade, companheirismo, há mais força.
E enfrentamos o mundo dos homens, errando, perdendo, mas também resistindo, aprendendo e vencendo.
Sabendo que a brutalidade que há no mundo e que há contra a vida
Não poderá senão ser vencida.
E faremos existir cada vez mais de nós em nós mesmas.
E vamos poder ser, querer, nos jogar, e não mais ter medo.
Vamos ter toda a nossa energia para nós.
Vamos poder viver
Não dá mais pra saber e presenciar cenas brutas e absurdas
Que nos privam da saúde, da socialidade, da vida.
Não posso mais viver essa violência
Hoje chorei ao ouvir um relato de uma situação de brutalidade. Ciúmes. Eram ciúmes.
Como chorei tantas vezes
Pelas cenas vividas por mim
Pelas cenas vividas por outras, por minhas amigas, irmãs, desconhecidas
Outras que também não podem caber nesse mundo, que não podem ter suas vontades
Que não podem ser donas de si
Que não podem ter - e nem sequer conhecer - seu próprio prazer, seu corpo, sua alma, sua vida
Não posso mais suportar relações que nos tirem a vontade de viver
Que nos tirem a energia, o brilho, a força para enfrentar a vida, que nos tirem a vontade de tentar, de ir fundo naquilo que nós mesmas somos, naquilo que queremos.
Essas relações hostis, sem companheirismo, sem cumplicidade,
Que se sustentam sobre o medo, a humilhação, a violência.
É tão difícil ver meus amores e minhas irmãs vivendo um medo da vida, e temendo seus próprios desejos, e vendo, como eu vejo, perigo por todo canto.
--
Não dá para viver nesse mundo dos homens. Não dá...
Mas estamos aqui. Vivendo. Vivendo sem poder ter a vida.
Estamos aqui, em pleno mundo dos homens.
E, enquanto vivermos aqui, por vezes sucumbiremos. Por vezes nos submeteremos.
Por vezes perderemos a voz e não vamos poder brigar.
E teremos medo, e a incidência do mundo dos homens ainda será tão constante que por vezes simplesmente tentaremos ignorar e tocar em frente o que resta de nós.
Mas resta. E no que resta há vida, há energia, há vontade. No que resta há aquilo que somos.
E naquilo que somos há possibilidade de lutar.
Naquilo que somos há força - e como vejo força nessas mulheres! Há muita força!
E há cumplicidade, companheirismo. E com cumplicidade, companheirismo, há mais força.
E enfrentamos o mundo dos homens, errando, perdendo, mas também resistindo, aprendendo e vencendo.
Sabendo que a brutalidade que há no mundo e que há contra a vida
Não poderá senão ser vencida.
E faremos existir cada vez mais de nós em nós mesmas.
E vamos poder ser, querer, nos jogar, e não mais ter medo.
Vamos ter toda a nossa energia para nós.
Vamos poder viver
Minha história é a história de meus amores - II
(um dia, quem sabe, eu fui um homem cis branco e heterossexual)
--
Primeiro, fui gay
Ele me dizia curioso apenas
Mas abriu minha vida para tantas mais possibilidades
E para entender meu corpo, meu sentimento,
minha repulsa, meu desejo
--
Depois fui mulher
Sapatão, lésbica, mulher
Quando fui tocada como nunca antes
Aprendi a sentir
Aprendi a tocar
E pude entender a voz que há no corpo
--
Então foi que me vi preta
Ela me mostrou quem é meu povo
Um povo que até então eu não conhecia
Finalmente pertenci
E ganhei pelas ruas meus irmãos e irmãs - de sangue,
da luta, de vida
--
E por fim houve a negação
A particularidade
Que me faz ver as contradições das coisas em que me meti
E que me mostra onde contradigo a mim mesmx.
Nada é tão certo, tão firme
Então o que resta é pegar a vida pelos chifres
Inventar a solução
E viver
--
Primeiro, fui gay
Ele me dizia curioso apenas
Mas abriu minha vida para tantas mais possibilidades
E para entender meu corpo, meu sentimento,
minha repulsa, meu desejo
--
Depois fui mulher
Sapatão, lésbica, mulher
Quando fui tocada como nunca antes
Aprendi a sentir
Aprendi a tocar
E pude entender a voz que há no corpo
--
Então foi que me vi preta
Ela me mostrou quem é meu povo
Um povo que até então eu não conhecia
Finalmente pertenci
E ganhei pelas ruas meus irmãos e irmãs - de sangue,
da luta, de vida
--
E por fim houve a negação
A particularidade
Que me faz ver as contradições das coisas em que me meti
E que me mostra onde contradigo a mim mesmx.
Nada é tão certo, tão firme
Então o que resta é pegar a vida pelos chifres
Inventar a solução
E viver
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